17 de mai de 2009

Tudo é possível ...

uando penso nos contos de fadas e histórias fantásticas, me vem a cabeça o quanto elas me fizeram e fazem acreditar em um outro mundo onde tudo é possível. Eu me lembro, por exemplo, que quando eu era criança eu engoli uma semente de laranja e por muito tempo eu acreditei que iria nascer uma árvore em mim. Tinha pesadelos com o tronco saindo de minhas orelhas, com folhas saindo de minha boca e com minha pele se transformando em um musgo verde. Era tão real essa possibilidade que eu já pensava o que fazer para disfarçar das pessoas que eu me transformaria em árvore.

Isso é possível de verdade! Olha só:
Outra lembrança que tenho e que provavelmente também foi fruto dessas histórias foi a primeira vez que andei de avião. Eu olhava para as nuvens e ficava triste de pensar que não era possível sair do avião para andar sobre elas, e perdia um bom tempo pensando em alguma estratégia de chegar até lá, além de não parar de imaginar se os lugares encantados que existiam por cima do pezinho de feijão estavam no meio das nuvens ou em algum lugar que eu ainda não conseguia avistar lá de cima.

Outra influência que também aconteceu em minha vida foi um período de mais ou menos 3 anos seguidos, onde eu deveria ter entre 10 a 13 anos. Nesta época eu acreditava ser o rei dos mares. Eu conseguia conversar com as ondas e com o oceano, sendo que estes me obedeciam, mesmo quando estava em Belo Horizonte. Me recordo de um dia na sala de aula que eu fiquei com saudades do mar e me concentrei e comecei a conversar com ele, dizendo que breve eu estaria lá, mandei as energias para que ele pudesse se alimentar e alimentar o universo, tentei sentir a areia do fundo da água, pois era ela que me fazia saber como estava o temperamento do oceano naquele dia e, por fim, quando percebi, o tempo de entregar a prova tinha passado e eu tirei zero.

Pensando em fadas e anjos, quando eu era criança eles apareciam para mim em forma de vulto, e seus nomes me apareciam na imaginação. Confesso que eles não me vinham sempre que queria, e precisava de certo esforço para conseguir vê-los. Até hoje não sei se todas essas histórias são apenas frutos de minha imaginação ou se minha imaginação é que é frutos dessas histórias, mas sei que elas foram, são e serão sempre parte de mim.


Escandar Alcici Curi, 28 anos, ator.

Um comentário:

  1. Lembrei de uma hostória. Um vez engoli um caroço de ata (pinha ou fruta do conde, depende da região é a mesma fruta). Daí perguntei à minha mãe meio medrosa e chorosa:

    - Mãe, engoli um caroço.
    - Nada não, só vai nascer um pé de ata dentro da sua barriga!

    (eu passei dias um tanto aterrorizada esperando sair uns galhinhos de mim)

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