17 de mai de 2009

Leia-me


“Chave do Tamanho” de Monteiro Lobato foi um dos livros que mudaram a minha vida. Assim como Alice. Passei a ver o mundo em ângulos diferentes. Ora do gigante, ora da miniatura de gente. Ainda procuro pela chave, pelo biscoito e pela garrafinha tutifruti que nos convidam para um mundo de maravilhas. “Coma-me!” “Beba-me!”

Quando criança também via com um encantamento especial o seriado “Terra de Gigantes”. Nesse seriado os seres humanos, reduzidos a condição minúscula, passavam maus pedaços para sobreviverem num planeta de gigantes. E se por acaso eu fosse a gigante e chegassem os liliputianos ao meu planeta? Tracei então um plano estratégico. Queria ser amiga dos pequeninos. Distribuía farelo de biscoitos pelos cantos da casa e algodão para servir de roupa e caminha. Pipocas entre os livros para o Visconde. Manuais de sobrevivência. Ainda hoje espero por eles. Se você um dia vier à minha casa, por certo encontrará surpresas pelos cantinhos.

Como Lewis Carroll, o filósofo Walter Benjamin amava as coisas pequenas como selos, brinquedos, cartões postais e em especial os pequenos globos onde a neve cai. Perto de sua morte ele queria escrever um ensaio sobre a miniatura como um artifício da fantasia e do devaneio. Para ele, a predileção pelo minúsculo é um sentimento que liga a infância e a melancolia. Para os olhos de um melancólico o mundo em miniatura se torna um lugar único e especial: um refúgio encantado.


Adriana Peliano, 35 anos, artista plástica.

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