22 de jun de 2009

Sobre as ilustrações


As pessoas têm me perguntado bastante sobre as ilustrações desse blog. Fui eu que fiz? Encontrei na internet?

Um pouco de cada. Respondi uma vez que as ilustrações são colagens que faço sobre imagens que pesquiso bastante e, em geral, capturo na rede. Tem algumas que mudo muita coisa, outras faço uma leve interferência no original. Quando a imagem aparece tal e qual eu encontrei, eu costumo avisar. Agora, como é natural numa colagem, dificilmente se precebe quem fez o que. Independente disso o principal é o sentido da ilustração. Ou seja: uma imagem de outro contexto, com outro sentido, se desloca e passa a participar de um novo jogo de idéias em relação com o texto.

Depois disso achei num livro "por acaso" esse texto oportuno.

Novas formas surgem ao longo do processo criador, muitas vezes, a partir da metamorfose de formas já existentes, inclusive formas do próprio artista. O “novo” é uma inflexão de uma forma anterior; a novidade é, portanto, sempre uma variação do passado. Esse aspecto, que envolve o ato criador, abre espaço para se observar questões relativas à intertextualidade.

As combinações intertextuais dão origem a “textos” que são tecidos de citações, saídas dos mil focos da cultura que, para Barthes, implica a morte do autor. A transformação se dá, portanto, por meio de re-significações e deformações de formas apreendidas. Assim, combinações insólitas acontecem na complexidade da ação criadora que, segundo a perspectiva aqui proposta, abre espaço para as autorias novas.

Essas novas formas estão, certamente, relacionadas com os diferentes processos de apreensão do mundo. Encontramos, assim, a unicidade de cada obra e a singularidade de cada artista na natureza das combinações e no modo como estas são concretizadas.


Cecília Almeida Salles. Gesto Inacabado. São Paulo: Annablume, 2007.

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