5 de jan de 2010

Ao pequeno príncipe







"Os adultos não entendem nada sozinhos."


"Todo mundo já foi criança alguma vez.
Tem gente que ainda é.
Toda criança alguma vez ouviu de alguém:
- O que você quer ser quando crescer?
- Criança, ora!
é o que eu quero ser quando crescer
- respondeu na sua vez o pequeno príncipe."



"Menino procura escola que o ensine a desaprender."

João Falcão, diretor e roteirista.


"É preciso exigir de cada um o que cada um pode dar."

"Lá se vão mais de quinze anos desde a minha primeira leitura desta obra fantástia intitulada O Pequeno Príncipe. Desde então, a cada fase diferente de minha vida, a redescubro com carinho todo especial, no afão de rememorar aquele dia emocionante em que, completando meus quinze anos, ganhei o exemplar de capa dura, modelo luxo, original frncês, de um amigo de minha mãe que era belga. Como ainda estava iniciando no idioma, a primeira leitura foi na cama, à noite, após a saída dos convidados e mesmo assim num estado de sono e vigília. Não devo ter dado muita atenção ao texto pela própria inexperiência com a língua, mas adorei as ilustrações, principalmente aquela em que o pequeno príncipe era quase do tamanho do próprio planeta que o sustentava: essa imagem ficou na minha cabeça de um jeito que acabei sonhando com ela; eu era o pequeno príncipe, um astronauta solitário na imensidão do universo.

Anos mais tarde, ao descobrir minha primeira paixão, reli novamente o livro, mas desta vez o que me fez tocar o coraçnao foi a harmonia do texto e a mensagem de que eu me tornava responsável por tudo aquilo que cativava.

Quando me tornei pai de coração do meu primeiro filho, que já veio crescidinho e com nove anos de idade, recorri novamente ao meu velho amigo de capa dura e me surpreendi com a quantidade de segredos que tinha deixado pssar nas leituras anteriores. Como isto poderia ter acontecido? O livro mudara? Mas, não, o livro era o mesmo, eu é que estava crescendo e descobrindo o que na literatura as pessoas chamavam de entrelinhas.

Um dia, meu décimo filho o descobriu entre meus pertences. Teve a certeza de que se tratava de uma obra rara e levou-o para mostrar aos amigos, à namoradinha e à professora, e ela enamorou-se de meu livro de tal maneira que quase tive que namorar com ela para recuperá-lo.

Hoje tenho quarenta anos, e já me considero estável na vida, mas O Pequeno Príncipe ainda me acompanha a ponto de, inacreditavelmente, a capa do meu último livro biográfico trazer uma criança (eu) sobre o planeta Terra. Como se fosse o astronauta ou o pequeno príncipe! Eu mesmo só me dei conta ao reler pela enésima vez o livro para escrever esse comentário. Seria plágio da ideia? Ou seria na verdade o meu pequeno príncipe imortal a me conduzir pela vida e me inspirar a ser cada vez melhor?

Hoje, a frase que me abraça dessa obra deliciosa - e porque não dizer filosófica - é a que diz que "É preciso exigir de cada um o que cada um pode dar". Como ela é realista e sugestiva, atual e historicamente correta!

E pra auxiliar o Saint - Éxupery a continuar a voar e a levar cartas e alento aos habitantes deste pequenino planeta que habitamos, conto-lhe, onde quer que esteja, uma pequena história da minha terra:

'Um dia, as mulheres de uma cidade quiseram magoar uma linda cortesã, enviando-lhe uma bandeja cheia de fezes. A cortesã devolveu uma bandeja cheia de rosas com os dizeres: "Cada um dá o que tem"!

É O Pequeno Príncipe, numa de suas tiradas históricas, a nos alentar a vida, a história e a alma.

Obrigado, Saint - Éxupery!"



"Em cada ano da minha infância eu queria uma profissão diferente, diferente mesmo, em todos os sentidos.

Primeiro queria ser mágico para tirar bichinhos da cartola, bater co uma varinha nas coisas e mudar a realidade delas. Depos queria ser "autoridade", talvez policial, para ter meus desejos atendidos, ser acatado, ameaçar sem questionamentos. Depois queria ser o papa, talvez por peso na consciência pelo excesso de autoridade com que vivi alguns anos, assim poderia perdoar os meus ofensores e quem sabe, por tabela, as minhas próprias ofensas.

Nunca quis ser médico, advogado ou dentista - estas sempre foram profissões insípidas, dolorosas e desumanas nos meus primeiros contatos. Uma vez me esfolei e um médico me esbofeteou por que eu gritava demais e tirava a tranquilidade do hospital. Um advogado do juizado de menores me disse com o dedo em riste que eu não passava de um ladrãozinho de meia tigela. E o dentista, já no nosso primeiro encontro, me roubou um dente sem dó nem piedade.

Só quando completei meus dez anos é que decidi o que eu seria: um astronauta - me isolaria do mundo, de tudo e de todos e ficaria pulando na lua à mercê da sorte e dos alienígenas de um outro mundo.

Na verdade, hoje não sou um astronauta solitário, morro de medo da solidão e vivo com um pé em outro mundo. Sou um educador solidário e embaixador do país das maravilhas: um contador de histórias. Ganho a vida sonhando e vendendo sonhos. Não vivo no mundo da Lua; mas com toda convicção, a Lua, ainda hoje, é parte dominante do meu mundo."

Roberto Carlos Ramos, pedagogo.


"Se, por exemplo, você vem às quatro horas da tarde, desde as três eu começarei a me sentir feliz."



"Tudo começou com a minha santa mãe exoressando a alegria por matar sua saudade de mim, usando a frase:

- Se você chega sexta, minha filha, desde quinta serei feliz...

E lá eu ia, pelo mundo, viajando e fotografando, com o amor e a poesia da minha mãe me embalando...

Um dia, l o livro e então conheci aquele menino que tinha tanto de mim... de aquarela, de melancolia, de frustração em lidar com o "maduro" e de gosto em rir, gargalhar...

A paixão estava pronta...

Faz anos, ele mora dentro de mim, num cantinho claro, cheio de so e estrelas...

Dei à luz!

Petit nasceu... Agora, ele é nosso!"

Luana Piovani, atriz.


"Os homens não têm mais tempo de conhecer coisa alguma. Compram tudo prontinho nas lojas. Mas como não existem lojas de amigos, os homens não têm mais amigos."

"O que é 'amigo'?
O que é 'loja'?
O que é 'pronto'?
O que é 'tempo'?
O que é 'conhecer'?"



"Nasci canhoto, num mundo de destros, em 1948, na cidade de Barbacena, Minas Gerais.
As irmãs de caridade do Colégio Imaculada Conceição tentaram me endireitar amarrando minha mão esquerda nas costas para eu aprender a brincar e a escrever com a direita. Não aprendi, graças a Deus. E guardei no fundo do meu coração a certeza de que o mundo é que estava errado, não eu. Cresci com essa certeza, cultivando a habilidade de questionar a sociedade dos destros e de sonhar com um mundo onde os diferentes têm o mesmo respieto e os mesmos direitos que os iguais. Assim, feliz, sonhando e questionando, fui ser guche na vida."

Ricardo Guimarães, consultor empresarial.


"Foi o tempo que você dedicou à sua rosa que a fez tão importante."



Guardo belas lembranças da minha infância.

tinha um parque em frente à nossa casa, com balanço, gangorra, escorregador...

Na época de poda das árvores, fazíamos cabanas com os galhos cortados. Brincávamos carnaval fantasiados.

Carrinhos de Rolimã... Fazia bonecos de marionetes, pintava quadrados com figuras de histórias em quadrinhos e vendia pipas na feira livre.

Mas a mais grata recordaçnao que tenho é da minha mãe permitindo que eu desenhase nas paredes do meu quarto.

Com lápis de cera, colori vários personagens do Walt Disney nas paredes. Hoje penso: "Como consegui pintar nas paredes altas sem escada?"

Acho que como Peter Pan, voando.

Na infância, nada é impossível".

Mario Cafiero, designer.


"Você se torna eternamente responsável por aquilo que cativas".




Você se torna eternamente cativado por aquilo pelo qual é responsável.
Você se torna cativante.
Você se torna eternamente.
Você se torna.


"A menina Adriana, quando era pequena, adorava o cheiro da sua mãe, o riso do seu pai, as bobagens da sua Tetê e as mãos de sua Dazinha.

Às vezes, ela sentia uma tristeza azul que não conseguia explicar direito, por que ainda não conhecia a palavra melancolia.

Hoje a menina sabe muitas palavras difíceis.

A sua mãe, o seu pai, a sua Tetê e a sua Dazinha não moram mais aqui. Estão lá num céu azul.

Apesar de ter crescido, a menina continua menina, só que agora ela sabe que azul combina muito mais com alegria do que com tristeza."

Adriana Falcão, escritora e roteirista.


"Então, sejam gentis!"



"Quando pequena, li O pequeno Príncipe algumas vezes, mas foi somente ao ver o filme no cinema que entendi completamente a sua história e tive que encarar o que, intuitivamente, havia apagado com a minha imaginação das páginas do livro: a morte de quem vai e a suadade que quem fica.

Lembro-me que chorei tanto, e por tanto tempo, que em certo momento as lágrimas secaram e só os soluços expressavam a minha tristeza.

Esse momento me marcou tão profundamente que mal posso lembrá-lo sem que os espasmos e todas aquelas emocões omecem a revolver-se em mim como um gigante tornado, pronto para me pegar pelos pés e me jogar longe. Pensei que, ao reler o livro, agora como uma pessoa grande, veria as coisas diferentemente, mas percebi que meus sentimentos não mudaram em nada: ainda gostaria que o Pequeno Príncipe jamais tivesse conversado com a cobra, sofri ao vê-lo tombando lentamente com a estrela ao longe ... chorei.

Agora entendo muito bem a verdade do autor de que a morte não seja irremediável, mas me identifico com a raposa, sozinha no deserto, para sempre cativada pelo amável principezinho.

"Façam-me então um favor! Não me deixem tão triste: escrevam-me epressa dizendo que ele voltou..."

Fernanda Guedes, ilustradora.


"Toda pessoa grande foi criança um dia.
Mas poucos se lembram disso."


Textos e imagens extraídos do livro: "O Pequeno Príncipe me disse. Mutirão poético." Organização Sheila Dryzun. São Paulo: Editora pedran'agua, 2009.

2 comentários:

  1. amei seu blog, amei a maneira como escreve, amei o tema pq amo pequeno principe! rsrsr

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  2. Sou apaixonada pelo pequeno principe.
    Amei.
    Volto aqui depois com calma para ver outros textos.
    ;-)

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