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17 de mai. de 2009

A vingança do matinho


uando eu estava no jardim, representamos a peça “A linda rosa juvenil” na chegada da Primavera. A menina mais bonita da classe foi escolhida para ser a Rosa. O mais alto e mais forte, foi o Rei. A esquisitona, foi a bruxa.

Eles eram os “especiais”. Nós, os comuns mortais, éramos simplesmente o matinho que crescia ao redor. Balançávamos de lá para cá conforme o vento. Posso dizer que fiquei revoltada. Desde então no meu caminho, Rosa, Rainha ou Bruxa, faço de tudo para não ser, ainda, apenas e tão somente o matinho que cresce ao redor.

Reproduzo aqui a cantiga que deu origem à peça.

A linda Rosa juvenil, juvenil, juvenil
.
A linda Rosa juvenil, juvenil.
Vivia alegre no seu lar, no seu lar, no seu lar.

Mas uma feiticeira má, muito má, muito má.
Adormeceu a Rosa assim, bem assim, bem assim.

Não há de acordar jamais, nunca mais, nunca mais.

O tempo passou a correr, a correr, a correr.

E o mato cresceu ao redor, ao redor, ao redor.

Um dia veio um belo rei, belo rei, belo rei.

Que despertou a Rosa assim, bem assim, bem assim.
 

Digamos ao rei muito bem, muito bem, muito bem.


Florinda Pertence, 30 anos, paisagista.

14 de mai. de 2009

Certos dias de chuva...



ão era um conto de fadas, mas uma indignação. Quando eu era pequena, sempre ouvia essa musiquinha e não entendia muito bem. “Tomara que chova uma chuva bem fininha, pra molhar sua cama e você dormir na minha!”. Na minha adorável ingenuidade eu então pensava assim (voz de criança):
“Poxa, se você vai dormir na minha, eu durmo aonde?”


Adriana Peliano, 35 anos, artista plástica.

8 de mai. de 2009

Frevo de ninar


o meu caso, o que mais me marcou não foram as estórias, mas sim as músicas. Meu pai todas as noites me embalava na rede cantarolando bois da cara preta, sapos cururús e sempre o mesmo frevo pernambucano, Evocação nº2 ( acho que esse é o nome) que nada tem a ver com música de ninar crianças. A letra dizia assim: “Felinto, Pedro Salgado, Guilherme, Fenelon cadê seus blocos famosos…”, e assim por diante.

Quando cresci ficava pensando o que levaria um pai a cantar esta música para sua filha dormir. Bem, a razão eu nunca soube. Só sei que adoro os frevos e os blocos pernambucanos e que talvez aquela música tenha me dado a energia e a animação que tenho pela vida e pelas coisas que faço.


Heliana Mestrinho, professora universitária, dentista e "boadrasta" da autora deste Blog.