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18 de mai. de 2009

No meu Jardim...


empre morei na mesma casa, que está sempre mudando e reformando. Ela já foi de várias formas, no início era um barracão e depois virou um casão, também pudera, sou a quarta filha numa "escadinha" de cinco. Quando éramos crianças havia um jardim grande e gramado e tinha balanço, escorregador e alguns cogumelos. Eu e minha irmã caçula jurávamos que nestes cogumelos havia de verdade alguns "smurfs" e olha que nem gostávamos tanto assim do desenho. Mesmo assim ficávamos às vezes horas sentadas no jardim vigiando pra ver se víamos os "smurfs", e nada. Logo pensávamos que os passarinhos tinham avisado e eles se escondiam, porque não podiam ser vistos por nós, porque para eles éramos os gigantes que faziam ruindade, que iríamos destruí-los. Desse modo começamos a pensar em uma maneira de mostrar para os "smurfs" que éramos do bem, e então enfeitávamos a grama colocando flores e balas e nada. Chegamos à conclusão de que eles estavam achando que era uma "armadilha", resolvemos então pedir ajuda para os passarinhos e como também nada acontecia, começamos a achar que os passarinhos faziam fofoca por ciúmes, não querendo dividir a amizade dos "smurfs".

Com o tempo fomos nos desapegando dessa história e embarcando em outras tantas, como a cigarra seca ou a "bruxa" do colégio Batista Mineiro (BH), ou que Carapebus (Praia no E.S) ficava atrás de uns pinheiros que víamos da vista da cozinha, ou não ir no minhocão do parque para não acontecer conosco como no desenho "Caverna do Dragão", ou o desejo de encontrar um "Cavalo de Fogo" que levaria a gente para visitar outros mundos e sempre voltar, ou que as formas das nuvens em objetos, pessoas, animais, e tal, eram feitas pelos ursinhos carinhosos...
UFA! que "tempo bom!"....


Milena Mendes, 28 anos, Designer Gráfica.

15 de mai. de 2009

O nome dela é Cindi


indi é o diminutivo de Cinderela, mas eu só percebi isso bem depois. Esse nome surgiu mesmo foi de um filme do Schwarzenegger, que tinha uma aeromoça chamada Cindi. Eu queria que minha filha fosse Marjorie, que significa pérola, mas o pai insistiu que fosse Cindi. No dia do batismo o padre perguntou o que significava Cindi. Agente não sabia a resposta então ele falou que devia trocar para Maria Cindi, o pai dela avançou no padre.

A sua primeira festa de aniversário foi de ursinhos carinhosos. Quando criança ela adorava. Outro dia ela procurou uma boneca antiga. Eu disse: Cindi, você não é mais criança! Ela aceitou mas foi atrás dos ursinhos carinhosos. Aos dois aninhos se vestiu de Moranguinho. Ela sempre usava aquela roupa. O mundo da Moranguinho foi seu conto de fadas quando pequena. Agora o conto de fadas dela é o casamento perfeito com final feliz. Como eu e o seu pai nos separamos, ela muitas vezes se agarra no álbum de fotos do meu casamento e sonha com um vestido de noiva. Acho que ela quer que eu me case de novo. Eu faço tudo pela minha filha, mas isso, nem pensar! Ela também sonha com seu casamento. Em vez de Cindi, ela queria ser a Sandy e o seu príncipe encantado, vê se pode, é o Kiko do KLB!


Baseado no depoimento oral de Soni Miranda, 51 anos, manicure. Sua filha é a Cindi, 20 anos, sonhadora.

14 de mai. de 2009

Cinemas de minha infância


o ler o texto de Anairda Onailep nesse Blog fiquei emocionado! Acabei motivado a escrever o texto a seguir:

Lá pelos meus poucos anos, já sabendo entender as coisas, estava num dos cinemas de minha infância vendo um filme do Walt Disney sobre o Zé Carioca na cidade do Rio de Janeiro. De repente, o Zé Carioca, que também estava vendo um filme sobre a cidade do Rio de Janeiro em seu próprio filme, resolve entrar na tela projetada e acabou dentro do filme da cidade do Rio de Janeiro que ele e eu estávamos vendo. Ponto. Voltei para casa extasiado e aparvalhado com o fenômeno: como pôde o Zé Carioca ter feito o que fez? Como ele conseguiu entrar no filme e ficar lá de dentro trabalhando no próprio filme e, de quando em vez, dar adeus para mim e os demais espectadores? Pois bem, hoje percebo claramente que realidade e fantasia é uma simples questão de ponto de vista ou de vista de ponto, isto é, depende de como se olha e de onde e para onde se olha! Assim, quando estou meio saturado do dia a dia, apenas imagino qualquer lugar, arranjo uma boa companhia e para lá vou de malas e bagagens; mesmo quando estou de vento em popa, procuro dar mais vento a minha popa e imagino um mar mais azul ainda e uma claridade sem tamanho e lá me encontro usufruindo do bom e do melhor! Salve o Zé Carioca!

Jos Perpel, idade desconhecida, sobrevivente.